Nesse meu pedaço, vou pintar a vida, fazer dela água colorida, lambugem, colagem, enquadrar meu próprio ponto de vista.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Orion II
Nunca mais vou ouvir o timbre grave ecoando o nome da flor que mora ao lado. Minhas lembranças sussurram cantigas de uma infância que há muito se perdeu. Hoje, foi o dia de voltar pra casa. Agora já é hora de estar no tempo que abriga os vieram muito antes de nós. Essa é a lei que faz de nós uma metonímia de nós mesmos. Fez de si, a palavra que lhe deu nome aqui. Olion. Seja o Orion! Tome o lugar que é seu.
domingo, 5 de julho de 2009
Tá dando onda
A internet é um espaço criado por milhares de sete mares. Gosto do seu ir e vir sem fim. Algumas das muitas longas ondas curtas me fazem ter a certeza de onde não quero estar. Outras. Ondas profundas, revoltas, violentas, congelam minha vontade de ficar. Acabo de descobrir um lugar onde estouram ondas sempre novas. Essas, com certeza, me farão voltar.http://brnehring.blogspot.com/
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Roupa no varal
Quando me vejo frente ao computador, me lembro do trabalho árduo das lavadeiras num tempo em que eu ainda nem existia. De lenço branco na cabeça, protegendo a cuca do sol, elas trabalhavam juntas, em sintonia, indo e vindo suas mãos para obedecerem ao comando de uma tarefa que começou muito antes dali. Por si próprias iam à água e voltavam às pedras para bater a roupa. Faziam, assim, até esbranquiçarem-se com o sabão que, por alguns segundos, continua a manchar a água. Na memória, vou ao encontro da mesma coragem. Em busca de também estender roupa no varal digital do meu tempo, sento-me na pedra ao lado.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Orion
Ele parte neste exato momento. Vai devagar. Não quer nada pra levar. Assim, vem pedindo. Chega de ficar. O corpo trouxo, frouxo, faz com que se rearrume inteiro. Nesses últimos tempos, é chegado o tempo de ir. Compra passagem. Sai de casa. Se despede dos que ama. Distante, emocionado, diz que foi bom enquanto durou. Orion, filho do fogo, companheiro de Diana. É chegada a hora de voltar pra casa. Sua cor e calor estalam aqui. O seu e o nosso céu estão logo ali!
sábado, 13 de junho de 2009
Labirinto
Santânica entrada reveladora da limitude do eu. Maldita minutagem disparada no encontro com o todo. Doida vontade daquilo que os olhos nunca aprenderão a ver. Desvendar-te? Só para aqueles que, diante de tudo, não fogem do agora.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Cogente

Aprendi ontem a palavra cogente. O amigo que me apresentou a ela me disse ser sinônimo de uma daquelas expressões latinas nada modalizadoras. Essa tenho repetido vida afora. Sabe aquela idéia sem a qual a vida perde em graça? Por ela, revisto de vida o dia. Aprendi a fazer isso diante da letra de D. Ormy, com o olhar de toda tarde no pico que se indica em direção ao azul, ouvindo o barulho cauteloso do rio Itapemirim. Depois de tanto, para que tanta importância a algo que se imponha pela lógica. Nem mesmo a uma palavra nova. O que quero agora é que a vida se me revele, como ontem, co(n)gente.
domingo, 24 de maio de 2009
A menina de cá
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